domingo, 21 de junho de 2009

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Smile

Conversa de Café

- Tu nunca te abres!

Pudera. Quando o faço os meus desabafos são minimizados, uma coisa pouco importante, que é resultado das minhas inseguranças. Quais, ainda estou para saber, pois nem sequer as consigo expor, uma vez que ela nem me deixa terminar as frases.

- Ouve, como é que tu podes saber o que eu ia dizer, se nem me deixas acabar.
- Já percebi o que é que vais dizer.
- Estou a desabafar; não te estou a pedir lições de moral.
- Se me estás a contar, tenho direito a dar a minha opinião.

Claro que sim. Mas quando o desabafo passou a ser dela, já este direito não foi extensível a
mim.

- Não tens que estar sempre a analisar tudo. Estou só a falar.

Já tentei isso.

- Não dizes nada? Não tens opinião?

Ter, tenho. Mas isso só é útil se for a que ela quer ouvir.

- É isso que tu achas?
- Ouvindo o que tu disseste sim.
- Então não percebeste nada.
- Lá por não concordar contigo, não quer dizer que não tenha percebido.
- Tu agarras-te demasiado às palavras.
- As palavras forma tuas.
- Sim, mas não precisas de as levar tão a sério.

O que a bem ver, até é verdade. Há coisas que não merecem a importância que lhes damos. O difícil é saber quais.

- Nem ligas ao que eu te digo!
- Bom; primeiro dizes-me que não devo dar tanta importância ao que dizes. Agora queixas-te do contrário.
- Isso é porque tu não me dás atenção. Porque se desses percebias a diferença.
- Como é que é suposto eu perceber a diferença, se as regras mudam sem uma lógica traçável?
- Lá estás tu a desconversar.

Sendo que, na verdade, estava a tentar fazer exactamente o oposto. Mas era escusado tentar compreender.

- Tu és básico.

Pelo menos por uma hora, que na hora seguinte posso já ter passado a complicado.

- Afinal sou básico ou complicado?
- És básico numas coisas. O que complicas são os teus defeitos.

E depois acha estranho que eu me mantenha calado e não fale de mim.

- Não precisas ficar assim. Não se pode dizer nada!
- Dizes o que tu quiseres.
- Pronto, lá está tu.
- A fazer o quê?
- A concordar comigo.
- Pensava que era isso que querias.
- Não sejas condescendente comigo.
- Não estou a ser condescendente.
- Estás sim. Só dizes isso para me deixar satisfeita.
- Mas não é isso que esperas de mim? Que te deixe satisfeita?
- Hoje estás impossível.

Impossível, porque percebi a futilidade da discussão.

- Sabes, a mim parece-me que na verdade o conteúdo desta discussão pouco interessa. Tu na verdade queres é falar, pouco importando o que se está a dizer.
- Ai é isso que tu pensas?
- Estás sempre a mudar de opinião? Como é que podes estar à espera que eu saiba o que é importante para ti?
- Deixa-me muito triste ver que é assim que tu olhas para a nossa relação.

Senti-me manipulado. Felizmente aprendi a não perder o sono com isto. Foi necessário. Caso contrário teria morrido à muitos anos de exaustão.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Hoje disseram-me que sou um tipo excessivo...

Hoje disseram-me que sou um tipo excessivo. Demasiado. Com tendências para a amargura e o dramatismo. Agressivo, conflituoso. Com a capacidade de ser cruel e pouca vontade de ser feliz.

Não discordo nem concordo, mas nós temos sempre uma opinião diferente de nós próprios, daquela que os outros têm.

Suponho que haja razões para acharem isso e também compreendo que isso não é propriamente uma boa coisa, nem algo capaz de me tornar popular.

Se for a pensar, os elogios que me fazem podem resumir-se à minha seriedade. E isso, sei-o bem, não é a melhor das características. Mas explica porque razão me procuram quase sempre para pedir ajuda ou trabalho. Suponho que seja o universo onde as minhas qualidades mais se aplicam.

Todos temos defeitos e limitações e todos seremos eventualmente capazes de traçar a sua origem e encontrar razões para as mesmas. Mas acho que não tenho de o fazer. Sou como sou e resta-me lidar com as consequências e implicações disso, sem entrar em defesas argumentativas acerca de como a tristeza faz tanto parte da vida como a alegria, ou que comporto-me de acordo com o que sinto e que isso nunca é desprovido de razões.
Tudo isso é muito verdade, mas nada muda.

Portanto, talvez tenha razão a MI. quando diz que eu não tento ser feliz. Pelo menos aos olhos dela, que a felicidade, como já foi explicado, é sintetizável e não absoluta.

Resta aceitar o que sou ou mudar se não gostar, coisa que não tenho a certeza de conseguir fazer.

"A Felicidade exige valentia" by Fernando Pessoa

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela
vá à falencia.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e periodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oasis no
recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da Vida. Ser feliz é não ter
medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para
ouvir um "não". É ter seguranca para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A minha última criação



Ainda em fase de trabalho.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

"While the ages steal", by Giants

Uma amostra do que está para vir

Não tenho bem a certeza do que é o amor. Em parte,suponho, é um desejo apaixonado, invejoso e irresponsável, que responde à beleza ou à sedução, com afeição e preocupação.


Em parte, é uma força insofismável, que ao invés de depender do valor de outra pessoa, adiciona-lho.


Interrogo-me se é possível amar na ausência de razões, mas também acredito, que sendo o amor uma projecção, o valor original pouco interessa, uma vez que ele lhe é imputado, simplesmente por causa da posição que ocupa como amante.


Suponho que nunca consegui perceber se no amor, o outro é um instrumento ou um destino.


Por um lado, parece-me que, se amo, é porque acredito que o outro tem qualidades nas quais me reconheço, mas também sei, que muitas vezes, aquilo em que uma pessoa acredita, tem menos a ver com a circunstância, do que com as origens motivacionais.


Por outro lado, não posso definir o interesse de uma pessoa, se não for capaz de definir valor. Mas como o amor me torna vulnerável ao que acontece ao outro, transforma a minha percepção, o que acaba por conferir valor a essa pessoa, independentemente das qualidades dela. Dizer que algo tem valor objectivo é torná-la comparável, que é como quem diz, substituível. Mas não é o amor caracterizado pelo facto do ser amado ser insubstituível? Se assim é, então não pode estar baseado simplesmente no valor do outro, mas em qualquer outra coisa, que a coloca acima de qualquer comparação.


No entanto, também não sei se é possível amar alguém por si mesmo, dissociando-a das propriedades, mas sei que não é por tê-las, que passo a amar. Existem muitas pessoas com as mesmas qualidades e amo apenas uma e não todas, pelo que tem de existir uma razão superior à objectividade, embora não saiba responder qual.


Que resíduo invisível é esse, que propriedade desconhecida é essa que nos leva a amar uma determinada pessoa? Ou será que não passa de uma decisão à priori, que recorre à paixão como mecanismo para justificar a energia aplicada no envolvimento?


Há estudos que dizem que a decisão é tomada pelo cérebro e só depois percepcionada e consciencializada. Se assim for, é o nosso inconsciente que nos manipula, impelindo-nos para uma determinada pessoa, num certo espaço de tempo. E por ser inconsciente, eu não consigo entender com exactidão. Acredito que seja isso que leva as pessoas a retirarem conclusões à posteriori, sobre as razões que desconheciam na altura.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A minha última criação

A partir de uma ilustração da V.


segunda-feira, 1 de junho de 2009

Barcelona

Cheguei ontem de lá.
Um fim-de-semana, pouco mais, com 4 amigos.
Fomos ao Festival Primavera.
Um festival de música, variada e reconfortante.
Uns dias passados sem confusão nem artrites.
Cansado sim, mas satisfeito por dentro.
Felizmente há dias assim.